Proposta é limitar a expansão do perímetro urbano de Três Lagoas até que os espaços vazios na cidade sejam ocupados

O diagnóstico e prognóstico do Plano Diretor Participativo de Três Lagoas propõem a construção de habitação popular nas áreas mais centrais da cidade, onde já existe infraestrutura básica. A proposta é limitar a expansão do perímetro urbano até que os espaços vazios na cidade sejam ocupados.

Estudo das empresas Synergia Consultoria Socioambiental, Idom e EY- Ernest Young, que estão fazendo um diagnóstico de Três Lagoas revela que, o novo perímetro urbano do município – o atual com os espaços vazios e com possível crescimento até o novo traçado do contorno rodoviário que será construído – comporta 600 mil pessoas nos próximos 30 anos.

Por esse motivo, o prognóstico do Plano Diretor que está em fase de elaboração e que será aprovado pela Câmara de Vereadores, propõe essa limitação da expansão urbana, até que as áreas vazias, onde já existe infraestrutura, sejam ocupadas.

Entre as propostas para o preenchimento de espaços vazios está também a instituição do IPTU progressivo – uma alternativas para acabar com a especulação imobiliária na cidade e “forçar” o proprietário construir ou vender os imóveis não edificados no perímetro urbano. A maneira em que esse imposto se dará ainda não foi detalhada pelas equipes técnicas que foram encarregadas de elaborar esse diagnóstico.

Estudo aponta áreas prioritárias da administração pública

De acordo com a secretária municipal de Planejamento, Carmem Goulart, os estudos apontam a necessidade de a cidade “crescer para dentro”, já que o município passaria a investir no perímetro urbano existente e deixaria de “correr atrás dos prejuízos”, que seria levar infraestrutura para novas regiões.

Carmem explicou que, a expansão urbana implicaria em mais gastos porque a prefeitura teria que construir mais escolas, mais creches, mais asfalto, drenagem, esgoto, enfim mais investimentos em áreas afastadas, sendo que poderia investir no perímetro urbano atual, que ainda requer melhorias.
“Ao invés de investir, o município teria que correr atrás dos prejuízos”, observou.

HABITAÇÃO POPULAR
De acordo com a coordenadora de Projeto da Synergia, Karin Matzkin, uma das propostas é estimular a ocupação das áreas mais centrais, flexibilizando os parâmetros de ocupação para permitir a verticalização, proporcionando a otimização da infraestrutura das áreas que já possuem cobertura. Assim, evitaria a ocupação de áreas na periferia e que a prefeitura tenha que levar serviços de infraestrutura para locais mais longes.

O empresário do ramo imobiliário, Antônio Alves de Souza, concorda que é preciso incentivar a construção vertical. No entanto, não acha viável a construção de moradia popular em algumas áreas da cidade, como, por exemplo, no Colinos, bairro nobre de Três Lagoas.

A secretária de Planejamento ressalta, entretanto, que a proposta não é construir grandes conjuntos habitacionais dentro da macro zona central de Três Lagoas. “Por exemplo, poderiam ser construídos blocos de apartamentos com três andares e, no térreo, funcionar pequenos comércios, como, por exemplo, farmácia, loja”, exemplificou.

AUDIÊNCIA
A questão da ocupação urbana de Três Lagoas é uma das questões que será discutida durante audiência pública prevista para a próxima quarta-feira (26), às 19h, no prédio da Câmara. A audiência faz parte do processo de elaboração do Plano Diretor Participativo para o desenvolvimento do município em longo prazo, construído de forma conjunta com gestores públicos e sociedade.