Fonte: Jornal Cruzeiro

Um grupo de pessoas contempladas com os apartamentos dos residenciais Carandá e Altos do Ipanema, em Sorocaba, bloqueou ontem o trânsito da avenida Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes, em frente à Prefeitura, em protesto contra a falta de informações sobre a entrega das chaves dos imóveis. A interdição de uma das duas pistas começou às 20h15 e, às 20h25, a outra pista também foi bloqueada, parando a avenida nos dois sentidos. Após momentos tensos, marcados por congestionamento e críticas ao prefeito Antonio Carlos Pannunzio, o trânsito só foi liberado e normalizado às 21h.

Pouco antes do protesto na avenida, esse grupo de pessoas participou de audiência pública na Câmara com a expectativa de obter resposta sobre a entrega das chaves dos imóveis. Mas não havia nenhum representante de Pannunzio na audiência presidida pelo vereador Carlos Leite (PT) e que teve a presença do vereador Irineu Toledo (PRB) e também dos vereadores eleitos Vitão do Cachorrão e Iara Bernardi. Cerca de 300 pessoas lotaram as dependências da Câmara, segundo avaliação da Guarda Civil Municipal (GCM).

Gritos na rua

O público, indignado com a ausência de representantes da Prefeitura, entendeu que os discursos não resolveriam o problema e começaram a criticar o prefeito. “Vacilão”, disse uma mulher que preferiu não se identificar. “O prefeito mente demais, só promete”, afirmou o motorista Jair Avelino, de 58 anos. Ele mora com a esposa num barraco do bairro Cajuru, na zona industrial, foi contemplado com apartamento e tem uma filha que também espera o imóvel: “Minha filha está contemplada e não pode entrar.”

Foi Avelino que propôs que o protesto fosse para a avenida. A proposta recebeu a adesão de parte do público. Outra parte foi embora. “A gente está aqui porque a gente quer o que é nosso: a chave dos apartamentos”, disse uma mulher. Na avenida, os gritos da manifestação variavam: “Cadê o Pannunzio? Queremos nosso apê, vai ter que resolver”, “Queremos solução, chega de enrolação”. Disseram que aguardam os apartamentos desde 2014.

Sem creche e escola

Os dois conjuntos residenciais somam cerca de 5.700 imóveis, abrangendo aproximadamente 18 mil pessoas, e foram construídos com recursos do governo federal. A entrega das chaves depende de instalação de infraestrutura como escola e creche, o que ainda não foi resolvido. As pessoas contempladas com os imóveis querem entrar nos apartamentos mesmo sem a infraestrutura instalada.

Entre os manifestantes estava a dona de casa Patrícia Alves da Silva, de 25 anos, que mora com o marido e um filho num barraco do Parque Esmeralda. O marido tem salário de cerca de R$ 1 mil e ela, que está no segundo mês de gravidez, espera gêmeos. Outra mulher, Francisca Ursulina Dias Pierini, de 51 anos, disse que ganha R$ 480 por mês como faxineira em um dia por semana e mora de favor na casa de uma pessoa no Parque Laranjeiras. “A espera está sendo demais”, ela se queixou.

Após a manifestação, a assessoria de imprensa da Prefeitura foi comunicada sobre as críticas ao prefeito. Até o fechamento desta edição, não houve resposta. Os contemplados com os imóveis agendaram novo ato para a próxima terça-feira, as 14h, em frente à Prefeitura.

OCULTAR COMENTÁRIOS