São Paulo, 11 – O resultado abaixo do esperado dos grupos Alimentação e Habitação limitou um avanço maior da inflação paulistana na primeira leitura de outubro. A avaliação é do coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), André Chagas, que estimava queda de 0,90% para o conjunto de preços de alimentos e alta de 0,11% para Habitação. Na primeira quadrissemana do mês, o grupos tiveram recuo de 1,02% (Alimentação) e elevação de 0,09% (Habitação).

O IPC da primeira quadrissemana de outubro (últimos 30 dias terminados na sexta, 7), por sua vez, teve deflação de 0,07%, após recuo de 0,14% no fechamento de setembro. “Alimentação e Habitação ajudaram a segurar o IPC, mas não é nada catastrófico. A inflação continua baixa e o acumulado em 12 meses deve continuar nessa trajetória, já que em outubro de 2015 foi de 0,88%), explicou.

A variação de 0,88% no IPC do décimo mês do ano passado está bem aquém da nova previsão de Chagas para o índice fechado de outubro de 0,29%. A projeção anterior era de 0,27%. O motivo da alteração, disse, foi a notícia de aumento em gastos com planos de telefone fixo na capital paulista recentemente. “Tivemos informação sobre redução na alíquota de PIS/Cofins em torno de 2%. Por outro lado, pacotes de telefonia fixo estão subindo”, disse.

Contudo, a maior surpresa veio do grupo de alimentos que mostrou alívio em quase todos os segmentos, mas com destaque para os produtos in natura, que tiveram recuo de 5,07%, depois de retração de 5,40% no término de setembro. Chagas citou como exemplo a taxa negativa de 7,00% registrada em legumes, ante baixa de 9,38%; retração de 10,23% em tubérculos, após declínio de 12,03%; e baixa de 10,31% em verduras ante queda de 9,63%. “Pode ter um pouco de influência do clima. Não estão ocorrendo chuvas intensas, nada que, por enquanto, está comprometendo as plantações. Além disso, tivemos choque de oferta em períodos imprevistos que fizeram os preços subirem. Agora, estão devolvendo as altas”, explicou.

Além dos alimentos in natura, as categorias de produtos alimentícios industrializados desaceleraram ao saíram de 0,50% no fim do mês passado para 0,35% nesta primeira quadrissemana; e os semielaborados passaram de recuo de 1,26% para declínio de 1,05%. Já a categoria de alimentação fora de casa teve alta de 0,36% nesta pesquisa, ante 0,24%. “em semielaborados, a carne bovina voltou a pressionar (alta de 2,67%), reflexo, dentre outros fatores, da proximidade com fim do ano. A tendência é continuar subindo. A carne de frango também subiu (5,59%). Na contramão, leites (-13,78%) e feijão (-6,48%) caíram”, ponderou.

Vestuário

A alta de 1,15% do grupo Vestuário na primeira quadrissemana também veio maior que a previsão de 0,87% da Fipe. Segundo Chagas, a aceleração reflete a troca de coleção e algum ajuste nos preços, após a defasagem recente.

Segundo ele, todos os segmentos apresentaram resultados positivos: roupas femininas (1,7%), masculina (1,19%) e infantil (1,60%).