População de baixa renda não encontra imóveis novos

12.05.2008

 Conselho do FGTS ampliou em R$ 350 milhões este ano os recursos destinados à habitação popular
Faltam imóveis novos para a população de baixa renda, com salário de até R$ 1.875, em Belo Horizonte. Há oferta de crédito e demanda, mas as unidades com valores entre R$ 30 mil e R$ 55 mil são raras na capital. “O nosso grande desafio é fazer com que as construtoras produzam para essa faixa de renda. Como o preço do terreno está alto, elas preferem construir imóveis de maior valor”, afirma Marivaldo Araújo Ribeiro, gerente-regional da Caixa Econômica Federal.

O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou três medidas para tentar alavancar o financiamento da casa própria para a baixa renda. O rendimento mensal passou de R$ 1.125 para R$ 1.875. A mudança é válida para a compra de materiais de construção e imóveis novos. Os usados não entraram na alteração. Além disso, o conselho ampliou em R$ 350 milhões o valor dos recursos destinados ao subsídio de habitação popular, que passou de R$ 1,2 bilhão para R$ 1,55 bilhão este ano.

Antes, para cada R$ 1 de subsídio dado para habitação, a Caixa tinha que contratar R$ 4,50 de financiamento para a casa própria. Essa relação também deixou de ser obrigatória. “Isso vai permitir velocidade maior nas operações, sem precisar represar o crédito”, afirma Teotonio Rezende, técnico da vice-presidência de Governo da Caixa. O novo subsídio para o FGTS, segundo ele, foi essencial para garantir o financiamento até o fim deste ano. “Se o conselho não tivesse liberado essa suplementação, o recurso poderia ter acabado antes de setembro”, observa Rezende.

Até o início deste mês, a Caixa liberou no Brasil R$ 280 milhões em subsídio para a habitação popular. Em Minas Gerais, foram liberados R$ 40 milhões. O subsídio de complemento para a compra da casa própria, dependendo da renda da família, pode chegar a R$ 14 mil. “É por isso que o governo aumentou a renda das famílias que podem obter o benefício. Há a capacidade de compra e renda, mas o consumidor esbarra na dificuldade em encontrar o imóvel”, observa Ribeiro. O conselho também decidiu aumentar os recursos para a habitação rural, para quem ganha até R$ 760.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Walter Bernardes de Castro, afirma que a alta de custos no segmento imobiliário tornou inviável a construção de imóveis no valor médio de R$ 40 mil na Grande Belo Horizonte. “O preço dos terrenos subiu muito, assim como o dos materiais de construção, a exemplo do aço e da cerâmica”, afirma. Mesmo no Programa de Arrendamento Residencial (PAR), que tem uma série de benefícios tributários, não é possível construir uma unidade por menos de R$ 46 mil, explica. O programa está paralisado no estado desde o fim do ano passado. O valor autorizado pelo governo para a construção das unidades pelo PAR era de R$ 34 mil, com chance de subir para R$ 39 mil. “Mas estamos tentando negociar para R$ 45 mil. Valor menor do que isso é inviável”, diz Castro.

A expansão recorde do mercado de trabalho formal expandiu as contas do FGTS no primeiro trimestre do ano. A arrecadação líquida do fundo atingiu no Brasil R$ 2,55 bilhões, aumento de 33,6%, em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a março, as empresas recolheram R$ 11,94 bilhões para o FGTS. Os saques ficaram em R$ 9,38 bilhões. O crescimento da arrecadação líquida do fundo no primeiro trimestre é bom indicador da saúde financeira do FGTS. Quanto mais dinheiro acumula, mais o fundo pode destinar recursos para investimento em habitação, saneamento e infra-estrutura.
 
Fonte: Jornal Estado de Minas, publicado em 08/05/2008, na base de dados do site www.abmh.com.br
 

ABMH - Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação
Belo Horizonte - MG, (31) 3337-8846

 

 

 

 

 

 

<Página principal

 

ABMH - Rua dos Aimorés nº 2315, Bairro de Lourdes, Belo Horizonte - MG - Fone: (31) 3337-8846