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| Conselho
do FGTS ampliou em R$
350 milhões este ano
os recursos destinados
à habitação popular |
Faltam imóveis
novos para a população de
baixa renda, com salário de
até R$ 1.875, em Belo
Horizonte. Há oferta de crédito
e demanda, mas as unidades com
valores entre R$ 30 mil e R$
55 mil são raras na capital.
“O nosso grande desafio é
fazer com que as construtoras
produzam para essa faixa de
renda. Como o preço do
terreno está alto, elas
preferem construir imóveis de
maior valor”, afirma
Marivaldo Araújo Ribeiro,
gerente-regional da Caixa Econômica
Federal.
O Conselho Curador do Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) aprovou três medidas
para tentar alavancar o
financiamento da casa própria
para a baixa renda. O
rendimento mensal passou de R$
1.125 para R$ 1.875. A mudança
é válida para a compra de
materiais de construção e imóveis
novos. Os usados não entraram
na alteração. Além disso, o
conselho ampliou em R$ 350
milhões o valor dos recursos
destinados ao subsídio de
habitação popular, que
passou de R$ 1,2 bilhão para
R$ 1,55 bilhão este ano.
Antes, para cada R$ 1 de subsídio
dado para habitação, a Caixa
tinha que contratar R$ 4,50 de
financiamento para a casa própria.
Essa relação também deixou
de ser obrigatória. “Isso
vai permitir velocidade maior
nas operações, sem precisar
represar o crédito”, afirma
Teotonio Rezende, técnico da
vice-presidência de Governo
da Caixa. O novo subsídio
para o FGTS, segundo ele, foi
essencial para garantir o
financiamento até o fim deste
ano. “Se o conselho não
tivesse liberado essa
suplementação, o recurso
poderia ter acabado antes de
setembro”, observa Rezende.
Até o início deste mês, a
Caixa liberou no Brasil R$ 280
milhões em subsídio para a
habitação popular. Em Minas
Gerais, foram liberados R$ 40
milhões. O subsídio de
complemento para a compra da
casa própria, dependendo da
renda da família, pode chegar
a R$ 14 mil. “É por isso
que o governo aumentou a renda
das famílias que podem obter
o benefício. Há a capacidade
de compra e renda, mas o
consumidor esbarra na
dificuldade em encontrar o imóvel”,
observa Ribeiro. O conselho
também decidiu aumentar os
recursos para a habitação
rural, para quem ganha até R$
760.
O presidente do Sindicato da
Indústria da Construção
Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG),
Walter Bernardes de Castro,
afirma que a alta de custos no
segmento imobiliário tornou
inviável a construção de imóveis
no valor médio de R$ 40 mil
na Grande Belo Horizonte. “O
preço dos terrenos subiu
muito, assim como o dos
materiais de construção, a
exemplo do aço e da cerâmica”,
afirma. Mesmo no Programa de
Arrendamento Residencial
(PAR), que tem uma série de
benefícios tributários, não
é possível construir uma
unidade por menos de R$ 46
mil, explica. O programa está
paralisado no estado desde o
fim do ano passado. O valor
autorizado pelo governo para a
construção das unidades pelo
PAR era de R$ 34 mil, com
chance de subir para R$ 39
mil. “Mas estamos tentando
negociar para R$ 45 mil. Valor
menor do que isso é inviável”,
diz Castro.
A expansão recorde do mercado
de trabalho formal expandiu as
contas do FGTS no primeiro
trimestre do ano. A arrecadação
líquida do fundo atingiu no
Brasil R$ 2,55 bilhões,
aumento de 33,6%, em relação
ao mesmo período do ano
passado. De janeiro a março,
as empresas recolheram R$
11,94 bilhões para o FGTS. Os
saques ficaram em R$ 9,38 bilhões.
O crescimento da arrecadação
líquida do fundo no primeiro
trimestre é bom indicador da
saúde financeira do FGTS.
Quanto mais dinheiro acumula,
mais o fundo pode destinar
recursos para investimento em
habitação, saneamento e
infra-estrutura.
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