Crescimento habitacional e o déficit nominal de habitações no Brasil

07.05.2008

Estudo do Bradesco prevê que habitação no Brasil amplie 28%

A tomada de crédito para compra de imóveis no Brasil deve se tornar mais representativa nos próximos anos. De acordo com Estudo do Bradesco apresentado pelo diretor de análises macroeconômicas do banco, Octávio de Barros, o segmento deve crescer 28% ainda em 2008.

Já para os anos seguintes, a instituição estima um crescimento de 30% para 2009 e a mesma porcentagem para 2010. Havendo ainda possibilidade de um crescimento ainda maior, afirma Barros.

Ainda de acordo com o Bradesco, o crédito com recursos direcionados para a habitação vem crescendo de modo significativo há cerca de cinco anos. Pondera: “Em 2004 cresceu apenas 4,3%, mas, a partir daí, não parou mais e apresentou crescimento de 13,9% em 2005, 22,6% em 2006 e 26,4% em 2007.

Fonte: Jornal O Tempo, publicado em 07/05/2008.

Déficit Habitacional

Para o Dr. Thiago Brasil, advogado da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), apesar do aquecimento imobiliário ter sido muito bem recebido pela entidade, está longe de representar uma solução para os “sem tetos” no Brasil.

Chama a atenção o advogado, que segundo dados da Câmara Brasileira de Indústria da Construção (CBIC), o déficit nominal de habitações aumenta a cada ano, sendo hoje de 8 milhões de unidades, atingindo 94% dos casos, famílias com renda igual ou inferior a cinco salários mínimos. Aliás, a maior parte desse déficit é medida por moradias consideradas inadequadas ao uso (inadequação) e/ou ocupadas por mais de uma família (coabitação).

A diretora da ABMH em Belo Horizonte, Sonália Henriques lembra que “o déficit habitacional não está mais na falta de recursos, basta verificar o montante destinado à habitação nos últimos anos, em 2007 por exemplo, a Caixa Econômica Federal financiou mais de R$ 14 bilhões em todo o país, hoje, o problema da falta de moradias é causado pela falta de políticas destinadas à baixa renda, ora, não se pode sequer considerar o teto em 5 salários mínimos, pois das 8 milhões de famílias sem casa própria, 86% têm renda abaixo de 3 (três) salários”.

Segundo o consultor jurídico do IBEDEC e também da ABMH de Brasília, Rodrigo Daniel dos Santos "é necessário que o governo inverta a equação de seus investimentos, como nunca fora feito nestes quase 40 anos de Sistema Financeiro da Habitação, repensando as políticas habitacionais e os programas destinados a conter o déficit habitacional no país. Se a população crescer conforme as projeções do IBGE, em 2050 seremos 259 milhões de habitantes, com um déficit habitacional superior a 30 milhões de unidades".

Na oportunidade, alerta o advogado aos pretensos contratantes de financiamento habitacional, “que o ideal é verificar todas as condições do contrato e avaliar com cuidado antes de fechar o negócio. Cada mutuário precisa ver se as condições oferecidas são adequadas ao seu orçamento”, acrescenta Brasil.

Para Thiago Brasil, o mutuário assim que deixar de pagar uma parcela, seja qual for o motivo, deve procurar o agente financeiro imediatamente para renegociação. “Os bancos tem interesse em renegociar. O mutuário tem sempre que procurar uma saída para seu problema”.  Destaca que, em muitos casos o consumidor pode não só pode utilizar o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para abatimento do saldo devedor, mas também das prestações em atraso.

Ressalta o advogado, que os bancos, na condição de sabedores, que não é da cultura dos brasileiros recorrer ao Poder Judiciário, costumam injustificadamente negar quitação do saldo devedor pelo seguro obrigatório em caso de morte ou invalidez do mutuário, além de se recusar a aceitar recursos do FGTS para abatimento do saldo devedor ou prestações em atraso, não passando tudo isso, de uma estratégia bancária para forçar a inadimplência e retomar o imóvel. Nestes casos deve o consumidor procurar uma Associação de Mutuários, ou um advogado especialista, para tomar as medidas judiciais cabíveis, pondera o advogado.

 

 
Fonte: Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação, Na base de dados do site www.abmh.com.br
 

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