Caixa Econômica projeta liberar R$ 3 bilhões em linhas para casa própria

07.05.2008

Em entrevista concedida ao Jornal Diário do Comércio, na última segunda feira, Dimas Wagner Lamounier, funcionário de carreira da Caixa Econômica Federal desde 1978, assegurou que já fora contratado no Estado de Minas Gerais este ano R$ 700 milhões no Estado, sem contar desembolsos do Programa de Arrendamento Residencial (PAR), que ainda não ocorreram.

Esclarece ainda Lamounier que, “a expectativa é chegar aos R$ 3 bilhões, já que temos estoques de projetos dentro da engenharia da Caixa para análise que nos dão segurança de o resultado chegar pelo menos próximo ao previsto. Alguns fatores mostram isso, por exemplo, os imóveis na planta com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) que a Caixa lidera no mercado, com 33% do total no país. A cota era de 80% do valor total que poderia ser financiado e foi passada para 90%, o que tem atraído muita gente, sobretudo o público jovem. Hoje, 30% dos clientes deste tipo de produto estão com idade abaixo dos 30 anos. Isso mostra uma mudança inclusive de paradigmas, já que alguns anos o sonho deste público era o primeiro carro, e hoje é a casa própria, mais um reflexo da economia estável. É importante ressaltar que o “Feirão da Casa Própria”, que será realizado no próximo mês, tem grande destaque para a instituição no âmbito de aquecer o mercado imobiliário. Neste ano, já contamos com mais de 20 mil imóveis cadastrados para serem ofertados à população, entre unidades novas, usadas e na planta. As imobiliárias estarão lá, junto com as construtoras, além da Caixa. Tudo isso revela uma visão transparente de que temos mercado e que ele está aquecido”.

 Para o Dr. Thiago Brasil, advogado da ABMH – Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação, o aquecimento do mercado imobiliário favorece a longevidade da entidade, sendo muito provável, para não se dizer certo a prorrogação de arbitrariedades comumentemente praticadas pela CEF, no que diz respeito a quitação pelo seguro, utilização de recursos do FGTS para abatimento do saldo devedor ou prestações em atraso, nestes novos contratos.

 A Dra. Sonália Henriques, diretora da entidade, faz um alerta para aqueles que pretendem adquirir um imóvel nos chamados feirões da casa própria, lembra que “a Caixa Econômica Federal não vende imóveis, o feirão é uma espécie de ‘balcão de negócios’, com a presença de imobiliárias e construtoras que vendem seus imóveis, usados, novos e até na planta, sendo que o papel do agente bancário se restringe a emprestar o dinheiro para que o candidato à casa própria adquira o imóvel, se tornando um mutuário da habitação.”

 “Os únicos imóveis que a CEF realmente vende ao mutuário, financiado ou não, são aqueles que foram retomados nos procedimentos de execuções extrajudiciais, os quais, na grande maioria, encontram-se ocupados pelos antigos mutuários, sendo que o ônus para desocupar o imóvel fica por conta do novo proprietário. Importante enfatizar que o ocupante somente será obrigado a sair com uma ordem judicial, nesses casos, o novo dono terá que ingressar na Justiça com ação de imissão de posse e, se contestada, pode levar até 4 (quatro anos) para ser julgada”, ressalta Dr. Lúcio Delfino, também diretor da ABMH.

 
Fonte: Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação, Na base de dados do site www.abmh.com.br
 

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