Em
entrevista concedida ao Jornal Diário
do Comércio, na última segunda feira,
Dimas Wagner Lamounier, funcionário de
carreira da Caixa Econômica Federal
desde 1978, assegurou que já fora
contratado no Estado de Minas Gerais
este ano R$ 700 milhões no Estado, sem
contar desembolsos do Programa de
Arrendamento Residencial (PAR), que
ainda não ocorreram.
Esclarece
ainda Lamounier que, “a expectativa é
chegar aos R$ 3 bilhões, já que temos
estoques de projetos dentro da
engenharia da Caixa para análise que
nos dão segurança de o resultado
chegar pelo menos próximo ao previsto.
Alguns fatores mostram isso, por
exemplo, os imóveis na planta com
recursos do Sistema Brasileiro de Poupança
e Empréstimo (SBPE) que a Caixa lidera
no mercado, com 33% do total no país. A
cota era de 80% do valor total que
poderia ser financiado e foi passada
para 90%, o que tem atraído muita
gente, sobretudo o público jovem. Hoje,
30% dos clientes deste tipo de produto
estão com idade abaixo dos 30 anos.
Isso mostra uma mudança inclusive de
paradigmas, já que alguns anos o sonho
deste público era o primeiro carro, e
hoje é a casa própria, mais um reflexo
da economia estável. É importante
ressaltar que o “Feirão da Casa Própria”,
que será realizado no próximo mês,
tem grande destaque para a instituição
no âmbito de aquecer o mercado imobiliário.
Neste ano, já contamos com mais de 20
mil imóveis cadastrados para serem
ofertados à população, entre unidades
novas, usadas e na planta. As imobiliárias
estarão lá, junto com as construtoras,
além da Caixa. Tudo isso revela uma visão
transparente de que temos mercado e que
ele está aquecido”.
Para
o Dr. Thiago Brasil, advogado da ABMH
– Associação Brasileira dos Mutuários
da Habitação, o aquecimento do mercado
imobiliário favorece a longevidade da
entidade, sendo muito provável, para não
se dizer certo a prorrogação de
arbitrariedades comumentemente
praticadas pela CEF, no que diz respeito
a quitação pelo seguro, utilização
de recursos do FGTS para abatimento do
saldo devedor ou prestações em atraso,
nestes novos contratos.
A
Dra. Sonália Henriques, diretora da
entidade, faz um alerta para aqueles que
pretendem adquirir um imóvel nos
chamados feirões da casa própria,
lembra que “a Caixa Econômica Federal
não vende imóveis, o feirão é uma
espécie de ‘balcão de negócios’,
com a presença de imobiliárias e
construtoras que vendem seus imóveis,
usados, novos e até na planta, sendo
que o papel do agente bancário se
restringe a emprestar o dinheiro para
que o candidato à casa própria adquira
o imóvel, se tornando um mutuário da
habitação.”
“Os
únicos imóveis que a CEF realmente
vende ao mutuário, financiado ou não,
são aqueles que foram retomados nos
procedimentos de execuções
extrajudiciais, os quais, na grande
maioria, encontram-se ocupados pelos
antigos mutuários, sendo que o ônus
para desocupar o imóvel fica por conta
do novo proprietário. Importante
enfatizar que o ocupante somente será
obrigado a sair com uma ordem judicial,
nesses casos, o novo dono terá que
ingressar na Justiça com ação de
imissão de posse e, se contestada, pode
levar até 4 (quatro anos) para ser
julgada”, ressalta Dr. Lúcio Delfino,
também diretor da ABMH.